Saúde

Reposição hormonal aos 60 anos

● Dra. Márcia Umbelino: herança de um erro ou escolha pela vida?

Os benefícios da terapia incluem a redução da perda de massa óssea e a melhora na memória, humor, sono e libido

No Brasil, quase 30 milhões de mulheres estão enfrentando o climatério ou já estão na menopausa. Mais especificamente: cerca de 17 milhões estão no climatério (40-65 anos), com 9,2 milhões na menopausa (50-65 anos). Reposição

Dessas, 82% sofrem com sintomas que impactam na rotina e na qualidade de vida, como fogachos, insônias, perda de concentração e foco, problemas de memória, aumento de peso e perda de massa muscular, dentre outros efeitos da queda na produção hormonal.

E mais da metade não realiza tratamento por desinformação ou deslegitimização das queixas.

O preconceito quanto ao tratamento se deve à um passado longo de desinformação: durante décadas, o FDA e outros órgãos internacionais condenaram a Terapia de Reposição Hormonal (TRH).

O medo foi alimentado por estudos como o Women’s Health Initiative (WHI), que hoje sabemos ter sido mal conduzido, utilizando dosagens e métodos distorcidos.

Esse “apagão” terapêutico privou gerações inteiras de envelhecerem com saúde, forçando-as a suportar calores, insônia e perda de memória como se fossem um castigo inevitável da idade.

É um preconceito que custou caro: vivemos um período em que a menopausa era algo para ser apenas aguentado, ignorando o impacto disso no cérebro e no metabolismo.

Efeito protetor

Hoje, sabemos que a TRH, quando bem indicada, pode ser feita com segurança, trazendo não apenas o alívio dos calorões (fogachos), mas a manutenção da saúde sistêmica da mulher.

Isso porque, hormônios são responsáveis por diversas funções do nosso organismo e, por isso, a queda de produção compromete a saúde em diversos níveis. os estudos recentes comprovam que a reposição hormonal tem efeito protetor que atua nos seguintes pilares:

  • Na cognição: protegendo as conexões neurais e melhora da memória.
  • No metabolismo: auxiliando no controle da gordura visceral e prevenção do diabetes tipo 2.
  • Na saúde mental: estabilização de quadros de ansiedade e depressão ligados à flutuação hormonal.
  • Na saúde corporal: evitando a perda de massa óssea e de músculos, o que garante autonomia na terceira idade
  • Na saúde neurológica: a queda de estrogênio está ligada ao aparecimento do Alzheimer e outras demências.

Isso ocorre porque os hormônios são responsáveis por diversas funções do nosso organismo e, portanto, a queda de produção compromete a saúde em diversos níveis. Por isso, a TRH devolve qualidade de vida à mulher, que ainda tem décadas de vida pela frente depois de atingir o climatério.

Resgate da dignidade

Embora o início mais comum seja logo após a menopausa, a reposição pode ser iniciada ou continuada após os 60 anos com segurança – desde que não haja contraindicações como caso de câncer ou trombose, por exemplo. com o início tardio da TRP perde-se os efeitos protetores contra doenças cardiovasculares, por exemplo.

Mas, ainda assim, traz melhora significativa na qualidade de vida, na medida que proporciona controle de fogachos (ondas de calor), redução da perda de massa óssea (osteoporose), melhora na memória, humor, sono e libido.

Por isso, a reposição tardia é uma ferramenta vital para o resgate da dignidade. Não se trata apenas de estética, mas de proteger os ossos contra a osteoporose e o cérebro contra demências como o Alzheimer.

Para as mulheres que foram privadas de tratamento por 10 ou 20 anos devido ao tabu do FDA, a revisão dessas diretrizes é um alento.

O objetivo agora é garantir que a mulher moderna – que trabalha e lidera aos 60 anos – tenha um corpo que acompanhe sua mente. Tratar a menopausa não é luxo; é devolver a autonomia que a desinformação tentou tirar.

Imagem: Divulgação

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Então.

(Reposição)

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Dra. Márcia Umbelino dos Santos

Médica com mestrado em Auriculoterapia e pós-graduada em Geriatria, Medicina Tradicional Chinesa, Ortomolecular e Tratamento da Dor

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