Comportamento

Hora de repensar a educação dos meninos

O papel da família e avós diante do aumento dos feminicídios

É na família e na escola que meninos e meninas aprendem cedo o que é ser homem e mulher e como resolver conflitos

Tudo começa dentro da família, o primeiro espaço de socialização e de formação de valores. hora de repensar

É dentro da família que meninos e meninas aprendem, desde cedo, o que é ser homem e mulher, como lidar com as suas emoções, como resolver conflitos e como se relacionar com as pessoas.

Famílias que reproduzem padrões machistas, autoritários e violentos, contribuem para a perpetuação da desigualdade de gênero e da violência contra as mulheres.

A família ampliada, que inclui avós, tios, tias e outros cuidadores também exerce uma influência significativa na formação dos meninos.

Em muitos lares brasileiros, as avós assumem um papel fundamental na criação dos netos, transmitindo valores, histórias e experiências que podem ser transformadoras, atuando como “portos seguros”, com referências morais e éticas.

Muitas avós carregam vivências de abusos, discriminação e violência, mas também trazem consigo a resistência, superação e sabedoria, sendo guardiãs da memória familiar, transmissoras de valores e, em muitos casos, são as principais responsáveis pela educação e socialização de seus netos.

O convívio com as avós proporciona benefícios emocionais e psicológicos para as crianças: segurança, afeto, autoestima, resiliência e senso de pertencimento.

As histórias compartilhadas, os conselhos e o exemplo de superação diante das adversidades ajudam os meninos a desenvolverem empatia, respeito e capacidade de enfrentar desafios sem recorrer à violência.

Além disso, as avós podem ser agentes de transformação ao romper o silêncio sobre experiências de abuso e violência vividas no passado.

Ao compartilhar suas histórias de forma sensível e acolhedora, elas contribuem para a conscientização dos netos sobre os danos da violência e a importância do respeito às mulheres.

Pequenos machismos

Educar meninos para o respeito às mulheres exige práticas cotidianas, consistentes e intencionais.

  • Permitir que todos tenham o direito de sentir e de expressar o que sentem. Ensinar que meninos podem e devem expressar sentimentos, como tristeza, medo e frustração, sem vergonha ou repressão. O choro não é sinal de fraqueza, mas de humanidade.
  • Respeitar as pessoas é mais importante do que ser o mais forte. Crianças aprendem pelo exemplo. Pais, mães, avós e cuidadores devem tratar todas as pessoas com respeito, dividir tarefas domésticas e rejeitar piadas ou atitudes machistas. Também é fundamental demonstrar afeto, pedir desculpas quando errar, resolver conflitos sem violência e valorizar a diversidade de pessoas e opiniões.
  • Diálogo aberto e escuta ativa: Conversar sobre sentimentos, dúvidas e conflitos, ouvindo com atenção e sem julgamentos. Validar as experiências das crianças e adolescentes, especialmente quando relatam situações de violência ou discriminação.
  • Brincar de boneca, de casinha ou de futebol é para todos. Permitir que meninos brinquem de boneca, casinha, cozinha, dança, e que meninas possam jogar futebol ou videogame. Brinquedos e cores não têm gênero.
  • Estabelecimento de limites justos e consistentes. Disciplinar sem violência física ou psicológica, explicando as razões das regras e as consequências dos comportamentos.
  • Promoção da autonomia e responsabilidade. Incentivar meninos a tomar decisões, assumir responsabilidades e a lidar com frustrações de forma construtiva.
  • Desconstrução de pequenos machismos: Refletir sobre frases, atitudes e crenças que reforçam a superioridade masculina e trabalhar para mudá-las, começando pelos próprios adultos.

A mudança começa em casa, mas também exige o envolvimento de toda a sociedade: escolas, comunidades, governos e organizações sociais.

Só assim poderemos romper o ciclo da violência e garantir que meninos cresçam para se tornarem homens que respeitam, cuidam e protegem as mulheres – e não que as matam.

Imagem: iStock

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Hora de repensar

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Dra. Olga Tessari

Psicóloga (CRP06/19571), formada pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisa e atua com novas abordagens da Psicologia Clínica em busca de resultados rápidos, efetivos e eficazes, voltados para uma vida plena e feliz; ama o que faz e segue estudando muito, com várias especializações na área; consultora empresarial, leva saúde emocional para as empresas; escritora, autora de 2 livros e coautora de muitos outros; realiza cursos, palestras e workshops pelo Brasil inteiro e segue atendendo em seu consultório ou online adolescentes, adultos, pais, casais, idosos e famílias inteiras que buscam, junto com ela, caminhos para serem felizes

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