Comportamento

Dra. Olga: autoestima do idoso

● Os pilares são: autoconceito, autoimagem e autoconfiança

Se o idoso não conseguir seguir melhorar a sua autoestima apenas com conselhos, é hora de procurar um psicólogo

A autoestima e a autoimagem são aspectos fundamentais da vida dos idosos, influenciando diretamente na sua qualidade de vida.

A autoestima é a forma como nós nos percebemos, a visão que temos de nós mesmos.

Quando ela é elevada, somos mais felizes e temos mais força para lidar com as adversidades do dia a dia.

Já quando ela é baixa, abrimos uma porta para muito sofrimento, fobias, medos, dificuldades interpessoais, aflição, insegurança, depressão, exclusão, entre outros.

A autoestima se baseia em 4 pilares:

Autoconceito: é o que pensamos sobre nós mesmos, observando se os nossos pensamentos estão repletos de palavras encorajadoras ou de mensagens depreciativas.

Autoimagem: é perceber que não devemos ser validados por outras pessoas ou pelo ambiente, mas em relação ao quanto gostamos ou não de nós mesmos e se aceitamos ou desaprovamos o nosso próprio corpo.

| Autorreforço: é valorizar as coisas boas que fazemos, elogiar-se, dar amor para si mesmo.

Autoconfiança: é o nível de confiança em si mesmo e nas suas habilidades.

Manter a autoestima elevada é essencial para garantir um envelhecimento saudável, justamente porque essa é uma fase em que ocorrem muitas mudanças em vários aspectos da vida (mudanças físicas, sociais e emocionais).

Mas, como manter uma boa autoestima e uma boa autoimagem de si mesmo num país que valoriza a juventude eterna, que apresenta o maior número de realizações de cirurgias plásticas no mundo?

E que mantém o 2º lugar em procedimentos não cirúrgicos como a aplicação da toxina botulínica no combate às rugas e às linhas de expressão facial, atrás apenas dos Estados Unidos?

É preciso aceitar que todos nós envelhecemos e que é fundamental aprender a lidar com isso de forma positiva, aceitando essa nova fase da vida.

Cabelos na pandemia

Cito como exemplo o número enorme de mulheres que deixaram de pintar seus cabelos durante a pandemia, aceitando o grisalho natural que surge com o envelhecimento.

Mas isso não quer dizer se abandonar: o autocuidado com a saúde é fundamental.

Pesquisas apontam que idosos ativos com elevada autoimagem e autoestima apresentam uma percepção positiva da aparência física e da capacidade funcional, sentem satisfação em relação à vida e às condições financeiras, à percepção de felicidade, à aceitação/adaptação à idade, ao relacionamento com os filhos, ao contato social e ao desejo de estudar ou de aprender coisas novas.

E então, como manter uma autoestima elevada?

É essencial combater o isolamento que surge depois da aposentadoria, quando o idoso passa mais tempo em casa. Para isso, é fundamental que ele mantenha o contato com familiares, amigos e pessoas queridas, que gostem de ouvir suas histórias, de aprender com ele e de estimular suas boas recordações. Transmitir experiências de vida faz com que ele se sinta útil, traz a sensação de que viver valeu a pena.

Fazer parte de grupos da terceira idade, sair da rotina ociosa com passeios, bailes, jogos, visitando amigos, colabora para que o idoso se sinta importante e amado. Somos seres sociais e precisamos interagir com pessoas a vida toda!

| É comum o idoso tomar as próprias decisões, a vida toda. Mas, na medida em que a idade avança, os mais jovens acabam decidindo muitas coisas por ele. É preciso se fazer ouvir pelos familiares e participar de todas as decisões que dizem respeito ao idoso.

Manter uma atividade física em grupo que promova o convívio social e o contato com a natureza é fundamental, uma vez que permite a convivência com seus pares, o que facilita a aceitação das mudanças inerentes ao envelhecimento.

Habilidades pessoais

Também ajudam a manter a autoestima elevada:

Yoga, dança, caminhadas ao ar livre, hidroginástica, entre outras atividades, são alguns exemplos de como estimular o idoso a se movimentar.

“Mente vazia, oficina do diabo”. É muito importante que o idoso tenha o que fazer. Ele pode, depois da aposentadoria, continuar sua atividade de forma não remunerada em ONGs e programas de voluntariado. Ou então, realizar hobbies, antigos ou novos porque agora há tempo para isso.

| Aprender coisas novas é uma ótima maneira de manter a mente ativa e estimulada. Existem muitos cursos gratuitos disponíveis na internet sobre os mais variados temas. Além disso, muitas universidades oferecem cursos para pessoas da terceira idade.

Cuidar da aparência é necessário, usando roupas bonitas e confortáveis, frequentando salões de beleza ou barbearias, mantendo os cuidados básicos do dia a dia, sentindo-se limpo e cheiroso.

A autoestima elevada é fundamental para mantermos nossa saúde física e emocional: facilita o desenvolvimento de habilidades pessoais e maior produtividade não só no trabalho, mas na vida em geral; colabora para um autocuidado com a saúde; traz maior satisfação com a vida; é um fator protetor contra estados de estresse e depressão; melhora o relacionamento interpessoal; desenvolve a resiliência, que é a capacidade de lidar com situações difíceis e superá-las; permite que a pessoa perdoe, não só aos outros como a si mesma, sem restar nenhum ressentimento, propiciando uma capacidade de enfrentar e de superar problemas com mais eficácia, entre tantos outros fatores.

E, se o idoso não conseguir seguir os passos acima para melhorar a sua autoestima, é hora de procurar um psicólogo para entender os fatores que impedem que ele tenha uma vida plena e feliz, com boa autoestima.

Imagem: Divulgação

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Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então. Pois. Então.
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Dra. Olga Tessari

Psicóloga (CRP06/19571), formada pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisa e atua com novas abordagens da Psicologia Clínica em busca de resultados rápidos, efetivos e eficazes, voltados para uma vida plena e feliz; ama o que faz e segue estudando muito, com várias especializações na área; consultora empresarial, leva saúde emocional para as empresas; escritora, autora de 2 livros e coautora de muitos outros; realiza cursos, palestras e workshops pelo Brasil inteiro e segue atendendo em seu consultório ou online adolescentes, adultos, pais, casais, idosos e famílias inteiras que buscam, junto com ela, caminhos para serem felizes

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