Comportamento

É possível viver sem medo?

● Palavra de especialista: isso faz parte da vida de todos

A autora explica como as pessoas reagem por instinto de sobrevivência ante o que pode ser perigoso e causar sofrimento

O medo faz parte da vida de todas as pessoas. Todos nós o sentimos diante do novo, do diferente, do incomum: é uma reação automática do nosso instinto de sobrevivência porque o novo pode ser perigoso e nos causar sofrimento.

É um fator de proteção contra os perigos e adversidades e é adquirido através das inúmeras experiências vividas.

Tomemos como exemplo uma criança presenciando a reação de medo da mãe diante de uma barata: é natural que ela passe a sentir o mesmo medo da mãe, concluindo que, se a mãe teme tanto esse ser, ele deve ser mesmo muito perigoso e é melhor temê-lo.

Mas se sentir medo é normal e natural, uma reação instintiva que serve para nos proteger, por que há tanta gente que sofre por causa dos seus medos?

Imagine uma pessoa que tem muito medo de ser assaltada. Ela pode ter adquirido essa reação por já ter sido assaltada no passado, por ouvir o relato de alguém que sofreu muito ao ter passado por essa experiência ou até por conta daqueles programas sensacionalistas na televisão que só falam de assaltos, roubos e mortes.

Veja bem: o medo de ser assaltado é um medo real e natural, ainda mais nos tempos atuais. Mas, se a pessoa se deixa dominar por essa emoção, ela vai procurar se isolar dentro de casa, permanecendo dentro dela a maior parte do tempo, vendo sua casa como o único local seguro contra esse medo.

Aos poucos, ela vai evitar cada vez mais de sair para a rua, evitar ir ao mercado, shopping, ficará cada vez mais apreensiva quando ouvir algum barulho na rua e vai passar cada vez mais tempo observando, através da janela, o movimento na rua…

Deixar de viver na plenitude

E ficando cada vez mais tensa sempre que algum estranho se aproximar da casa dela, já imaginando tudo de ruim que pode vir a acontecer se o bandido conseguir entrar na casa dela, que já está equipada com todo tipo de traquitanas de proteção para impedir a entrada de estranhos sem o consentimento dela.

Em outras palavras, ela vai cada vez mais paralisar a sua vida e deixar de vivê-la na plenitude por conta desse medo.

Quando o medo domina a vida de uma pessoa, ela desenvolve uma série de sintomas físicos tais como tremores no corpo, suor, falta de ar, taquicardia, suar demais chegando ao ponto de ir parar no pronto socorro por achar que está tendo um ataque cardíaco, uma vez que os sintomas físicos do medo são muito semelhantes aos de um infarto.

Além disso, outros sintomas podem surgir como rubor nas faces, voz trêmula, gagueira, dores de cabeça, sensação de desmaio, urgência urinária, sensação de afundamento no estômago e até náuseas, diarreia, problemas no aparelho digestório, entre outros sintomas.

E não importa qual é o medo que a pessoa tem, seja de um animal, de estar no meio da multidão, de dirigir, de ficar sozinha, seja ele um medo real ou imaginário: todas as pessoas sofrem da mesma forma, seja quando estão diante daquilo que lhes provoca medo ou quando apenas imaginam que possam estar diante do causador desse medo.

Pessoas que se deixam dominar pelos seus medos, passam a sofrer por conta da sua imaginação, que costuma ser muito fértil e bastante criativa, que alimenta seu medo com muitos pensamentos negativos, o que as leva a manifestar em seu físico todas as reações físicas que teriam, caso o assalto fosse realmente consumado.

O lado bom nos protege

É aquilo que chamamos de “sofrimento por antecipação”: está tudo calmo, não está acontecendo absolutamente nada, mas a pessoa sofre como se estivesse vivendo, nesse exato momento, a situação imaginada com todos os detalhes!

Sentir medo é normal, desde que esse medo não altere, atrapalhe ou paralise a sua rotina, o seu dia a dia. É o lado bom do medo, que nos protege, que nos alerta que podemos sofrer, e que precisamos tomar atitudes para evitar esse sofrimento: em hipótese alguma, jamais podemos deixar de viver a nossa vida por conta desse medo.

Em geral, quem sofre com seus medos possui baixa autoestima, tem medo de errar, gosta de se sentir no controle de tudo, preocupa-se demais em agradar as outras pessoas, em detrimento de se agradar e costuma ser perfeccionista.

É fundamental salientar que o medo exacerbado, aquele que paralisa cada vez mais a vida de uma pessoa e que gera cada vez mais sofrimento, tem tratamento e solução através de um tratamento psicológico.

O que não pode é continuar paralisando cada vez mais a sua vida por conta do medo, seja ele qual for: jamais deixe de lado a oportunidade de ter uma vida plena e feliz, que é o que todos nós merecemos!

Dra. OlgaTessari é autora do livro “Dirija sua vida sem medo”
Imagem: Melanie Wasser / Unsplash
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É. Oi. É. Oi. É. Oi. É. Oi. É. Oi. É. Oi. É. Oi. É. Oi. É. Oi.
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Dra. Olga Tessari

Psicóloga (CRP06/19571), formada pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisa e atua com novas abordagens da Psicologia Clínica em busca de resultados rápidos, efetivos e eficazes, voltados para uma vida plena e feliz; ama o que faz e segue estudando muito, com várias especializações na área; consultora empresarial, leva saúde emocional para as empresas; escritora, autora de 2 livros e coautora de muitos outros; realiza cursos, palestras e workshops pelo Brasil inteiro e segue atendendo em seu consultório ou online adolescentes, adultos, pais, casais, idosos e famílias inteiras que buscam, junto com ela, caminhos para serem felizes

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