Comportamento

Afinal, o que é o languishing?

● Palavra de especialista: é o estado emocional de apatia e vazio

Não é doença, mas os casos aumentaram com a pandemia; aqui a autora ensina a evitar esse problema da atualidade

Um certo dia, a pandemia provocada pelo Coronavírus começou e, de repente, ficamos em um estado de “suspensão” que vem se prolongando demasiadamente, sem previsão de final. Languishing

A dificuldade de planejar o futuro, a necessidade de ter que se adaptar o tempo todo é muito exaustiva, levando muita gente a permanecer num estado de alerta contínuo, o que causa a exaustão do organismo e a sensação de definhamento.

Para muitas pessoas, os dias têm sido seguidos de forma automática, sem qualquer motivação para fazer as coisas, com uma sensação de desânimo, de vazio e de apatia.

Estamos falando de languishing, um termo cunhado pelo sociólogo Corey Keyes e que, na língua portuguesa, pode ser traduzido por um estado emocional que, em sua essência, se define pelo vazio e pela apatia.

É como se a pessoa se sentisse anestesiada, estagnada emocionalmente, perdida e sem ação.

Sempre que falamos em saúde mental, pensamos nos seus dois polos opostos. De um lado, o pico do bem-estar, aquela sensação de estar bem, feliz, satisfeito, com um forte senso de significado e completo com a própria vida.

E, no outro extremo, o mal-estar, a infelicidade, a tristeza angustiante e a ansiedade de forma contínua, trazendo a sensação de esgotamento e de se sentir sem valor, o que pode levar à depressão.

O languishing estaria praticamente no meio desses dois polos, mas não seria neutro, nem tampouco positivo ou negativo.

Seria algo como um “limbo emocional”, que não é falta de esperança, mas sentir-se sem alegria, sem objetivos, estagnado, sem propósito ou foco, entorpecido, um “apagamento”, é como se a pessoa fosse definhando dia a dia cada vez mais.

Não é uma doença

Embora esse seja um estado emocional (não é uma doença) que pode surgir a qualquer momento na vida de uma pessoa, houve um aumento drástico de número de casos de languishing no período da pandemia (Brasil, 7º lugar no mundo).

A pandemia colaborou para que muitas pessoas encontrassem seu propósito de vida. Por outro lado, há uma quantidade enorme de pessoas que se sentem sem rumo, que não estão satisfeitas com a vida, que não conseguem se realizar e sofrem com isso.

Para elas, falta a dimensão positiva do futuro, existe uma espécie de “visão embaçada” do que há por vir, não há perspectivas, e a sensação de estagnação é constante.

Ficar triste e desanimado faz parte da vida, é normal ficar um ou dois dias nesse estado.

O languishing, por sua vez, é marcado pela apatia e desânimo por longos períodos em que a pessoa continua cumprindo as suas tarefas, mas o faz de forma mecânica e automatizada.

Vale dizer que esse comportamento apático também pode ser um sintoma depressivo, mas no caso do languishing, não há a ocorrência de pensamentos negativos ou a desesperança, sintomas típicos da depressão.

A dificuldade de planejar o futuro é perturbadora, gerando cada vez mais ansiedade, o que acaba com a ilusão de que é possível ter o controle das coisas.

A exaustão, que acompanha essa necessidade de adaptação constante, acaba por trazer o sentimento de culpa, o esvaziamento emocional e a apatia.

Como evitar o languishing?

É fundamental ter a consciência de que estamos vivendo novos tempos e que essa mudança pode ser positiva!

Acreditar em dias melhores é o caminho, não perdendo a esperança, mesmo que seja algo difícil.

Para isso, é necessário cuidar do corpo, com uma alimentação saudável, tendo boas noites de sono, mantendo o corpo ativo, praticando alguma atividade física aeróbica prazerosa como caminhar, pedalar, dançar, correr, nadar etc.

Para controlar o humor, nada melhor do que preencher o tempo livre com atividades prazerosas para si mesmo, atividades simples, mas que sejam constantes no dia a dia.

Somos seres sociais, precisamos interagir com outras pessoas! Por isso, é importante aumentar a interação social, nem que seja de forma virtual, com gente “alto astral” para redescobrir a alegria, o ânimo e a diversão.

Sorrir é fundamental para a nossa saúde física e emocional. E o convívio com essas pessoas é extremamente benéfico para a manutenção da saúde emocional.

É fundamental elaborar objetivos em que a esperança e o bem-estar estejam presentes no dia a dia, começando com pequenas metas que colaborem para a manutenção do ânimo e o desejo de viver essa nova vida, esses novos tempos!

Atenção: se o estado de languishing já estiver presente, se a pessoa se percebe sem foco ou sem controle das suas ações no dia a dia e isso tem sido algo frequente, se os dias passam e ela continua sem motivação, apenas cumprindo suas tarefas automaticamente, se ela se enxerga como uma fracassada, é importante procurar um(a) psicólogo(a).

Sim, é fundamental que essa sensação de apatia seja tratada porque ela pode evoluir para outros transtornos psicológicos mais graves como a depressão, a síndrome do pânico ou o burnout, entre outros.

Imagem: Pawel Czerwinski/Unsplash

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Dra. Olga Tessari

Psicóloga (CRP06/19571), formada pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisa e atua com novas abordagens da Psicologia Clínica em busca de resultados rápidos, efetivos e eficazes, voltados para uma vida plena e feliz; ama o que faz e segue estudando muito, com várias especializações na área; consultora empresarial, leva saúde emocional para as empresas; escritora, autora de 2 livros e coautora de muitos outros; realiza cursos, palestras e workshops pelo Brasil inteiro e segue atendendo em seu consultório ou online adolescentes, adultos, pais, casais, idosos e famílias inteiras que buscam, junto com ela, caminhos para serem felizes

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