Comportamento

Dra. Olga: vantagens da convivência

● Os netos também podem ensinar muitas coisas para os avós

Avós frequentemente aderem a avanços tecnológicos, como celular e internet, para entender melhor o universo dos netos

A convivência entre avós e netos é um momento de muita troca, de aprendizagem e de prazer para ambos. São muitas as vantagens da convivência entre avós e netos.

Para os avós, é um momento em que eles podem usufruir da relação com os netos de forma despreocupada e até atender aos caprichos deles, pois não têm mais o dever de educar, apenas de conviver com eles e de aproveitar, da melhor maneira possível, cada um dos momentos felizes com seus netos.

Avós e netos adoram conversar, trocar conhecimentos e experiências entre si.

Enquanto os avós ensinam o que sabem da sua experiência de vida e da história da família para os netos, além de colaborar para que os netos desenvolvam algumas habilidades, os netos os levam a reviver o passado e, assim, a refletirem sobre sua vida e elaborá-la melhor: os netos também podem ensinar muitas coisas para os avós.

Quantos avós adentraram nos avanços tecnológicos, aprenderam a usar seu celular e a navegar na internet por causa dos netos, para entender melhor o universo deles?

Avós que não se permitem envelhecer (porque envelhecer é parar de viver e de querer aprender, é ficar esperando a morte chegar) gostam de saber das novidades em geral, de tomar conhecimento sobre o que acontece e a Internet é mais uma forma de ampliar as experiências que eles querem obter.

E os netos são os melhores professores nesse quesito porque têm a paciência e a tolerância para ensinar os avós, algo que nem sempre os filhos têm por conta de traumas, conflitos mal resolvidos ou até devido à má convivência no passado com seus pais.

Avós se realizam com os netos

Justamente por não terem a função de educar, os avós podem e devem mimar seus netos à vontade, dar a eles a liberdade que gostariam de ter dado aos seus filhos, mas que, por força da necessidade de educá-los, não puderam concretizar seus desejos.

Vale dizer que os avós realizam com os seus netos todos os desejos reprimidos que tiveram enquanto pais.

Mas, muito além de mimar e de “estragar” os netos, os avós podem se tornar grandes amigos dos netos, colaborando para a formação deles em termos de valores, conceitos e respeito.

Os avós podem sim orientar e esclarecer muitas dúvidas dos netos, desde que não sejam preconceituosos ou antiquados, que estejam abertos para ouvir, sem julgamento, aceitando seus netos como são, jamais querendo impor a eles os seus conhecimentos como verdade absoluta.

Para isso, é importante que haja um bom diálogo entre eles. Acolher os netos e dar abertura para tratarem quaisquer assuntos estreita a relação entre eles, colaborando para que os netos se sintam à vontade para conversar sobre qualquer assunto sem medo.

É comum os netos recorrerem aos avós para tratar de temas delicados, por receio de falar deles com os próprios pais, seja por medo do julgamento deles, de algum castigo ou mesmo por vergonha.

Avós jamais deveriam ser babás

Ser pai e mãe é muito diferente de ser avô ou avó. É importante salientar que o relacionamento entre pais e filhos é muito diferente da relação entre avós e seus netos.

Os pais dessas crianças não podem esperar que os avós as tratem como foram tratados na mesma fase da vida, nem esperar, dos agora avós, atitudes e comportamentos semelhantes aos que eles tiveram enquanto pais deles porque, como já disse, a função dos pais é educar e a dos avós é mimar e se divertir com os seus netos.

É fundamental que os pais das crianças não exijam dos avós mais do que eles podem fazer no papel de avós, permitindo o convívio entre avós e netos, propiciando momentos agradáveis entre ambos.

O ideal seria que os encontros entre avós e netos fossem periódicos ou quando os avós ou netos desejassem, para não se tornar algo imposto.

Além disso, os pais jamais deveriam delegar aos avós a tarefa de serem babás constantes dos netos, algo que pode se tornar um empecilho para o bom convívio entre eles.

É importante salientar que avós jamais deveriam se tornar “pais dos netos”, isto ainda é tarefa dos pais, porque a relação entre avós e netos não é e jamais será uma relação de pais e filhos.

Nesse sentido, deixar o cuidado diário dos netos nas mãos dos avós torna-se um fardo difícil de carregar, uma vez que os avós entram em conflito consigo mesmos, não sabendo dosar adequadamente a sua dupla função de avós e de “pais postiços” dos netos.

Repito: a responsabilidade da educação ainda é dos pais, jamais dos avós!

Limites devem ser em qualquer idade

Mas fica a pergunta que não quer calar: os avós “deseducam” os netos? Satisfazer as vontades deles pode fazer bem apenas aos avós e não aos netos? Qual é o momento certo para se impor limites aos netos?

Limites devem ser colocados para todos, em qualquer idade. Satisfazer as vontades dos netos é bem diferente de se tornar escravo dos desejos deles.

É óbvio que os avós que amam seus netos, sentem-se bem em satisfazer os caprichos deles, mas, justamente por amarem essas crianças, devem saber o momento exato de dizer não.

Amar demais pode ser tão prejudicial quanto não amar. Portanto, os avós devem estar atentos para o momento em que a satisfação das vontades possa prejudicar seus netos ou a eles mesmos.

Avós que se respeitam e que tem amor-próprio sabem impor os limites no momento certo e sabem se fazer respeitar pelos seus netos, sem uso de medo.

Muitas vezes, os avós se sentem constrangidos em manter determinados limites impostos pelos pais de seus netos, mas é importante que eles sejam totalmente respeitados pelos avós, mesmo a contragosto, até para que os netos aprendam a respeitar os seus pais.

Agindo desta forma, isso levaria os netos a pensarem assim: “se até meus avós respeitam o que meus pais impõem, eu também devo respeitar”.

Crédito da imagem: iStock/Art Lunetas

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Dra. Olga Tessari

Psicóloga (CRP06/19571), formada pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisa e atua com novas abordagens da Psicologia Clínica em busca de resultados rápidos, efetivos e eficazes, voltados para uma vida plena e feliz; ama o que faz e segue estudando muito, com várias especializações na área; consultora empresarial, leva saúde emocional para as empresas; escritora, autora de 2 livros e coautora de muitos outros; realiza cursos, palestras e workshops pelo Brasil inteiro e segue atendendo em seu consultório ou online adolescentes, adultos, pais, casais, idosos e famílias inteiras que buscam, junto com ela, caminhos para serem felizes

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