Escolhas da mulher na maturidade
● Infelizmente, o ranço do passado subserviente ainda existe

► Outro dia eu li essa frase em uma postagem na internet e quero compartilhar, embora eu não saiba quem é o autor dela: “Você não nasceu para agradar, nasceu para viver. Sua opinião é tão importante quanto a dos outros. Não permita que ninguém silencie quem você é!” Escolhas
Ao longo da história da civilização ocidental, as mulheres têm sido educadas para cuidar e servir, mas esse padrão subserviente vem caindo por terra a cada dia, mudando de uma forma exponencial e positiva o comportamento e as atitudes das mulheres de todas as idades, principalmente, das idosas.
Se antes a mulher deveria seguir padrões e papéis bem definidos na sociedade que determinava a maneira que ela deveria se comportar, se vestir de acordo com a idade, viver ou não a sua sexualidade, e de que forma ela deveria envelhecer, hoje a mulher madura tem o poder da escolha.
Escolha de ser quem ela quiser ser, independentemente da idade que ela tiver, desafiando estereótipos, reinventando papéis e priorizando a si mesma em primeiro lugar.
Infelizmente, o ranço do passado subserviente ainda está presente na vida de muitas mulheres na maturidade, que ainda se preocupam demais com o olhar e os comentários dos outros, deixando de lado seus desejos e vontades para evitarem conflitos, críticas ou comentários negativos.
Quer ver um exemplo? Por muito tempo, o cabelo grisalho da mulher foi associado ao envelhecimento e à perda da feminilidade: as mulheres tinham que se submeter ao tingimento dos fios para se encaixarem no padrão imposto, mesmo que fosse a contragosto.
Assumir os cabelos brancos
Hoje em dia, muitas mulheres assumem seus cabelos brancos e essa atitude não deixa de ser um ato revolucionário em uma sociedade que ainda valoriza a juventude como padrão de beleza.
Assumir os fios brancos deve partir de uma decisão e desejo pessoal, de agradar a si mesma em primeiro lugar: não há nada de errado em tingir os cabelos ou mantê-los ao natural.
O importante é que a mulher se sinta bem com o cabelo que deseja ter, seja ele branco ou colorido.
Chegar à maturidade não significa deixar de viver, não é um período de declínio, ao contrário, é o momento em que a maturidade e a experiência de vida permitem que a mulher madura possa assumir suas vontades e desejos, doa a quem doer, até porque nessa fase da vida, a opinião alheia jamais deveria interferir nas suas escolhas.
O grande luxo do momento é ser autêntica, é ter em mente que não existe o certo ou o errado em relação às escolhas que a mulher faz, seja na forma como ela se veste, por exemplo.
A roupa é uma extensão da identidade dela e ela deve se vestir de acordo com o seu gosto pessoal, sentindo-se confiante e plena ao se olhar no espelho.
Não é querer parecer mais jovem ou adotar um estilo discreto ou conservador, mas o fundamental é ela se sentir confortável, elegante e fiel à sua própria essência.
Sexualidade e menopausa
Muito se fala em autoestima da mulher. E autoestima é assumir-se como mulher, é valorizar seus desejos e vontades, é fazer as escolhas que fazem bem a ela, não importa a idade que tenha.
Foi-se o tempo em que a sexualidade feminina tinha prazo de validade e que a vida sexual da mulher acabava na menopausa!
Apesar das alterações hormonais e da secura vaginal, o prazer persiste e pode ser ainda mais intenso, uma vez que a mulher madura pode se permitir experimentar novas maneiras de satisfazer o seu prazer sexual.
Nessa fase da vida a mulher pode se permitir ter uma vida sexual ativa ou optar pelo celibato, isso é uma escolha dela, uma decisão consciente que deve ser livre de julgamentos.
Infelizmente, muitas mulheres ainda deixam de fazer as suas próprias escolhas por conta dos comentários e críticas de pessoas do seu convívio e que podem gerar insegurança, vergonha ou até mesmo culpa de querer ser ou fazer o que ela deseja para si mesma.
Atire a primeira pedra a mulher que nunca ouviu frases como “você parece muito velha com esses cabelos brancos”, “você está ridícula com essa roupa” ou que o “nessa idade você não deveria namorar”, entre tantas outras frases ouvidas.
Inclusive por outras mulheres que somente reproduzem os padrões a que foram submetidas ao longo da vida.
Assumir suas escolhas implica em ouvir comentários de todo tipo. E aqui, o importante é saber lidar com as críticas, sem se deixar afetar por elas.
Diversidade e autenticidade
A como fazer isso?
Na grande maioria das vezes, a crítica diz muito mais sobre quem está falando do que sobre você.
Vale a pena questionar: a crítica é construtiva ou é apenas um julgamento baseado nos padrões de como a mulher idosa deveria ser na sociedade?
Será que vale a pena se importar com essa crítica e deixar de fazer o que é bom para si mesma, até porque suas escolhas não vão prejudicar ninguém?
E que, deixar de fazê-las só vai fazer mal a si mesma?
É impossível agradar a todos!
E aqui vale agradar-se em primeiro lugar porque isso fortalece a sua segurança, os seus valores e seus desejos, o seu amor-próprio, a sua saúde física e mental, colaborando para a elevação da sua autoestima.
E é isso o que importa!
Relacionar-se com grupos e redes que apoiem e valorizam a diversidade e a autenticidade é o caminho para fortalecer a autoestima e as escolhas.
E, se a mulher madura se sente apta a continuar trabalhando, é só seguir em frente.
Os conhecimentos acumulados ao longo de toda a sua experiência de vida podem colaborar para que ela se sinta produtiva e feliz no ambiente de trabalho, conhecer novas pessoas e ser aceita como ela é.
E, para terminar, fica aqui uma reflexão: já que não dá para agradar a todos, a mulher madura deve agradar a si mesma em primeiro lugar, fazendo as escolhas que lhe agradam, antes de buscar agradar quem quer que seja.
Imagem: Magnific
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